Celular em sala de aula: proibir ou usar como ferramenta?

Leis estaduais proíbem aparelhos no Brasil e um estudo britânico diz que proibição aumenta desempenho, mas tem professor que pensa diferente

15 JUL2015
09h05
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No final de maio, Pernambuco se tornou o mais novo Estado brasileiro a proibir o uso de telefones celulares nas salas de aula. A lei sancionada no estado nordestino vai ao encontro de normas semelhantes adotadas no Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo, entre outros. Também em maio, uma pesquisa publicada pela London School of Economics and Political Science (LSE) revelou que as escolas britânicas que baniram os celulares registraram um aumento de 6% no desempenho de seus alunos. Segundo o estudo, os aparelhos seriam uma causa de distração dos estudantes.
No entanto, professores e pesquisadores acreditam que, em vez de proibir, as escolas deveriam usar os dispositivos móveis como ferramenta pedagógica. É o caso do professor de física de Minas Gerais André Parreira. Mestre em tecnologia educacional, ele trabalha na capacitação de professores para o uso da tecnologia em sala de aula. “É preciso reconhecer o celular como parte da vida do aluno, e não pode haver um abismo entre a vida e a escola. A questão é ter um projeto pedagógico.”

Proibição ou não de celulares em salas de aula tem dividido professores no Brasil e no mundo
Proibição ou não de celulares em salas de aula tem dividido professores no Brasil e no mundo
Foto: Divulgação/BBC Brasil
Além da questão utilitária, o aparelho também pode ser um fator de motivação dos estudantes, defende o psicopedagogo Eugênio Cunha, professor da Faculdade Cenecista de Itaboraí e da Universidade Federal Fluminense. Para ele, a questão é saber motivar a turma. “Posso até proibir o celular, mas será que eu vou propor uma aula mais atraente? Acredito que disciplinar seja mais eficiente do que proibir.” Segundo Cunha, o professor deve “ocupar” o aparelho, propondo atividades e fazendo com que os estudantes saibam que, em outros momentos, o aparelho precisará ser guardado.
Na mesma linha, o especialista em administração escolar e orientação escolar Hamilton Werneck é contrário à proibição. Autor de diversos livros sobre métodos de ensino, o pedagogo explica que a questão não pode ser reduzida a liberar ou proibir radicalmente. O importante é ensinar aos alunos os momentos de utilizar o instrumento e também a hora de parar.
Entre as vantagens do aparelho, Werneck salienta a capacidade de pesquisa. “O professor pode pedir para a turma descobrir a cotação do petróleo, por exemplo. Além da discussão específica, os estudantes estão aprendendo a fazer pesquisa.”
Mesmo Louis-Philippe Beland, um dos autores do relatório da LSE, não ignora a possibilidade do uso pedagógico dos dispositivos móveis. “Nossos resultados não descartam a possibilidade de que telefones celulares e outras formas de tecnologia possam ser úteis nas escolas.” Segundo o pesquisador, o foco foi apenas sobre o impacto nas escolas que proibiram os telefones. Richard Murphy, que também assina o trabalho, complementa que, embora a utilização educativa não tenha sido abordada na pesquisa, é provável que as escolas não tenham desenvolvido propostas de uso didático antes da proibição.
Pais ligavam na hora da aula
O professor Sérgio Ribeiro, diretor do Colégio Motivo, de Pernambuco, acredita que o aparelho tira a atenção dos jovens. Ribeiro entende que, mesmo voltada a fins pedagógicos, a utilização dos celulares em aula seria convidativa para a dispersão. “A hiperatividade é muito grande, e é difícil para o professor ter controle se os alunos estão desenvolvendo a atividade proposta ou interagindo em redes sociais.” O professor pondera que a tecnologia pode ser um acréscimo, mas não deve substituir a aula tradicional.
Pesquisado no site TERRA

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