DIFERENÇAS NA ESCOLA


Começarei escrevendo sobre o preconceito que sofri quando era criança, pois era uma menina magricela, quieta e que usava óculos. Algumas crianças da escola me chamavam de “quatro olhos”, e aquilo me magoava muito, pois eu não entendia no que aquilo estava me prejudicando ou diminuindo, já que me auxiliava a enxergar, entendo hoje que as crianças da época usaram de “generalização indevida” comigo, pois me reduziram a minha deficiência.

Podemos presenciar e muito ainda hoje em dia, crianças sofrendo preconceito por parte de seus colegas e por parte de seus professores, pois seus educadores usam de “generalização indevida” para não procurar se inteirar das limitações de seus alunos e suas potencialidades para poder então ajudá-los a se desenvolver e os alunos se apropriam do “contágio osmótico” para com seus colegas ditos diferentes, ficam com medo de se contaminar com sua deficiência.

Na escola em que trabalho, temos alguns alunos com necessidades educacionais especiais, e penso que estas crianças são vistas com potenciais  e limitações iguais as das outras crianças, queremos na escola que todos os alunos possam conviver e serem felizes, cada um na sua maneira. Mas mesmo assim, ainda escutamos algumas crianças na hora do pátio relatarem através de barreiras atitudinais, que o fulano não pode brincar junto, pois tem dificuldade de locomoção.

A princípio, pode parecer que as manifestações de preconceito entre os alunos se restrinjam às diferenças raciais. Contudo, é bem possível que haja muitos outros tipos de discriminação ocorrendo na escola. Se o preconceito é construído pela sociedade, para erradicá-lo é preciso contar com a desconstrução. E isso pode ser feito em sala, ensinando o estudante a se colocar no lugar do outro e enxergar que, apesar das diferenças, somos todos seres humanos e merecemos respeito.

(...) superar o discurso de tom moralizante que durante muito tempo orientou o combate às várias formas de preconceito e ao etnocentrismo na escola, mostrando que tais fenômenos são, entre outras coisas, frutos da ignorância e que, portanto, a melhor forma de combatê-los é o conhecimento.(História: sociedade & cidadania, Alfredo Boulos Júnior, São Paulo: FTD, 2006)


 Por acreditar que a educação se dá num espaço onde estão inseridos sujeitos de vários grupos étnicos, contextos sócio-político-econômicos diferentes, religiões e classes distintas, faz-se necessário que o professor esteja sempre atento para a forma de contribuição que tem dado a este tema e ser a mudança em sua escola, contudo, eu procuro estar sempre conversando com minhas colegas e estagiárias para termos um olhar mais humano a estas crianças, e na verdade, a todas as crianças da escola.

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