Interdisciplina : CORPOREIDADE

Reflexões

A confiança básica recíproca é o suporte fundamental do viver social. E a incompreensão dos seres humanos entre si ameaça a destruição sistemática da vida humana do planeta. Pois o processo de aprendizagem, para os seres sociais, é tudo. Não nascemos nem amando nem odiando ninguém em particular.
Fala-se em unidade, mas não há a preocupação em saber qual é o processo de aprendizagem social que produz a feroz divergência. Nosso altruísmo biológico natural e a necessidade que temos como indivíduos de fazer parte de grupos humanos e de operar em consenso com eles, fenômenos esses que se dão em todos os seres cuja existência transcorre num meio social.
E o formidável poder de transformação do próprio mundo de que dispomos, graças a nossa colossal faculdade que é a reflexão consciente. Precisamos libertar em toda a sua extensão esses impulsos biológicos naturais que já possuímos, removendo, com nossa reflexão consciente, todas as ramificações acumuladas, para sermos sociais e sociáveis.
Só na reflexão que busca o entendimento, nós seres humanos, poderemos abrir espaços de co-existência nos quais a agressão seja um acidente legítimo da convivência e não uma instituição justificada com uma falácia racional. Pois criar o conhecimento, o entendimento que possibilita a convivência humana, é mais urgente, mais grandioso e mais difícil desafio com que se depara a humanidade atualmente. O conhecer é um adquirir informação de um ambiente cuja natureza é operacionalmente independente do fenômeno do conhecer, num processo cuja finalidade é permitir ao organismo adaptar-se ao meio ambiente. 


Tendo visto o filme Inteligência Artificial, percebemos que a personagem Mônica toca o Androide onde seria o cerebelo humano- que quer dizer pequeno cérebro. É ali que os impulsos somato sensoriais que orientam nossa percepção do ambiente se situam. Ela ali o toca e diz algumas palavras de comando, sendo que as últimas são seu nome e a do robô. Pois o cerebelo recebe uma grande quantidade de informação a respeito dos objetivos e comandos associados ao planejamento e execução do movimento. Seu funcionamento é vital para proporcionar condições de adaptabilidade e aprendizagem para a estrutura corpórea que permite a emergência de um sujeito consciente.
Então, a partir daquele momento, David começa a chamá-la de mãe, e esta conexão só poderá ser quebrada caso o androide seja destruído.
Nós existimos enquanto sujeitos mediante a continuidade espaço-temporal da corporeidade. Estar vivo significa encontrar-se em movimento.
Usar o termo "corporeidade"ultrapassa a dicotomia do corpo e da mente como instâncias separadas. Sendo assim, a mente não seria apenas uma proprietária do corpo, mas manifesta-se a partir dele. A corporeidade será a manifestação existencial de um sujeito consciente de seus constituintes endo e exo-orgânicos, além dos elementos virtuais e imateriais que também agem sobre a materialidade constituinte desta corporeidade.
Sendo a transdiciplinaridade um enfoque científico e pedagógico, torna evidente o problema que um diálogo entre diversas disciplinas implica necessariamente uma questão epistemológica. Pois tendo a corporeidade como evidência transdiciplinar, vê-se nela uma possibilidade de ação significativa no cotidiano da aprendizagem. Assim, a questão do corpo deixa de ser encarada como mero receptáculo da mente para fazer parte da vida experencial com igual importância no processo pedagógico tanto para alunos quanto para professores.
A questão da corporeidade não é apenas a inclusão de atividades corporais nas rotinas no processo de aprendizagem, mas também uma reflexão filosófica de que somos uma estrutura singular emergente num mundo.
Para que possamos entender o significado de aprender, é necessário admitir que esta é uma propriedade emergente da auto-organização da vida, pois emerge do sistema nervoso do organismo, enquanto acoplado ao meio ambiente.
Somos sujeitos que existem em uma corporeidade que interage com o ambiente que se diferencia em muitos aspectos. A questão central é que cada indivíduo se desenvolva o suficiente para articular sua corporeidade com outras competências, formando um círculo dinâmico de conhecimentos. 


Para mim, o texto mais difícil foi sem dúvidas o do Maturama. Pois trata-se de um texto de estrutura complexa e dinâmica, que nos desafia a todo o instante.
Esta interdisciplina me fez repensar alguns conceitos referentes ao funcionamento do corpo, não somente na parte motora, mas também no que se refere às funções cognitivas. E o porquê que alguns alunos apresentam tantas dificuldades. Será que eles não conseguem aprender ou nós como educadores não entendemos como se dá a sua corporeidade e a partir dela fazer intervenções coerentes e concisas para que seu aprendizado se efetue.

Comentários

  1. Grace!
    Apesar de não ter postado teus conhecimentos sobre a interdisciplina Escola, Cultura e Sociedade, gostei das tuas reflexões sobre corporeidade, mas estas reflexões servem para todos as interdisicplina, pois o indivíduo se constitui indivíduo em contato com a sociedade, em contato com o outro.
    Na pluralidade social, cada um é ímpar, cada um aprende e se desenvolve diferentemente.
    Sugestão:Tive dificuldade em ler o teu texto com a letra em azul, como sugestão poderia colocar em letra branca, mas só sugestão....
    Bons estudos.Tutora Luciane Machado.

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